desce
a água
macia
no maciço
da grande oca
desliza
a enxurrada
que chia
em boulders
e se aloja
em gnammas
dissolve-se
granulada
em gotas
pulverizando-se
perfazendo
a poesia
em mim
e eu
ali
artista do tempo
pinto
paisagens
que aliteram delírios
que pingam palavras
e respingam poemas
e ao fim do fluxo vertical
mergulho meus desejos fluidos afundando mágoas
e no batólito intrusivo donde os banhos todos correm
volvo o véu vertiginoso da vida no vórtice violento do vento

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